A guerra de narrativas que trava o Brasil

Roupa suja deveria ser lavada em casa...

Quem esperava por refresco está sofrendo mais. O ano de 2021 não deu trégua na guerra de narrativas, na guerra política. A paciência já acabou faz tempo. Mas nessa de acabar a paciência, não pode liquidar com o racional.   Fica o velho e bom alerta:  roupa suja se lava em casa.

Buscar mudanças é importante. Buscar novos rumos para o Brasil?  Sempre.  Mas torcer para que lá fora o Brasil sofra retaliações, parece o irmão mais novo dedurando o mais velho pro tio. Parece a vizinha fazendo fofoca, como se algum país lá fora fosse bonzinho e que resolveria nossos problemas internos.

 Na relação internacional já temos barbeiragem de sobra, com ideologias e ataques pelas redes sociais, sem pensar nas repercussões, o largar mensagens duvidosas que deveriam ficar apenas na mesa do churrasco.   Sem falar na guerra insana para ser o pai da vacina, ou para desmerecer a vacina.

Hoje vou fazer um balaio de informações conexas ou desconexas dependendo do olhar, mas é a realidade que estamos vivendo na guerra de narrativas.  Veja por exemplo o caso das vacinas de Oxford que estavam sendo negociadas para vir da Índia, estava de fato tudo certo, mas nos bastidores, era para ser uma operação discreta.   O que temos de discreto nos dias de hoje?  O governo também resolveu colocar adesivo no avião, e a imprensa com base em uma relação de países que receberiam as doses da Índia,  mas que o Brasil não estava neste lista, virou um barulho danado, e no final  as doses chegaram no nesta sexta-feira em Guarulhos. 

Brigar e resolver os problemas em casa, lá fora temos que fazer de tudo para que a imagem do Brasil não sofra, e que as vacinas, no caso, cheguem para os brasileiros, tira a política dessa história. Já basta  o que foi esta  busca por quem  vacinaria primeiro, é minha vacina,  tua vacina, lá está a capa da Isto é com o Dória sendo herói. O foco é garantir doses para os brasileiros e não inflar políticos,  ano que vem vai ser a guerra derradeira em ano de eleição, mas parece que já estamos em 2022 faz tempo.

A relação com a Índia é de longa data. No agronegócio, a pecuária que o diga. Morei em Uberaba no triangulo mineiro e sei muito bem das histórias do pioneirismo daqueles tradicionais e respeitados pecuaristas que buscaram a genética zebuína na Índia, com grandes aventuras de trazer touros que se transformaram em “raçadores” e temos esta pecuária de hoje graças a esta parceria com a Índia.   

E vamos falar agora da China,  desnecessários tantos Posts ideológicos contra a China, um parceiro importante em tantas frentes, por mais que tenhamos o epicentro da pandemia na própria China, temos a relação afinada em vários setores, nossas diferenças não devem ser expostas, mais do que necessário o pragmatismo diante da gigante China.  Insumos para as vacinas se transformaram em  guerra política e de narrativas.  Seguiu uma peregrinação que envolveu até a Ministra Tereza Cristina que foi lá na embaixada tratar de cooperação entre os setores, e claro que serve para estreitar as relações pensando na vacina, assim foram reuniões com  Ministério das Comunicações, com o Ministério da saúde, e com  presidente da câmara dos deputados Rodrigo Maia, todos batendo forte na questão da cooperação, na luta contra pandemia.  Como está cansativo, tão difícil lutar contra narrativas que vem de todos os lados, e a gente precisa apostar em uma sem conhecer a verdade, os detalhes,  a interpretação está tão falha.

Uma coisa é fazer oposição em casa, e apontar os erros, outra é torcer para levarmos surra de outros países. Veja a posse do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, esta  semana,  acompanhei em vários veículos os comentários que pareciam uma torcida para que os Estados Unidos falassem alguma coisa sobre retaliar o Brasil e pressionar com a causa Amazônia. Impressionante, disseram que o Presidente Joe Biden está evitando conflitos neste momento e que o Brasil não é prioritário.

Nossa, vamos torcer para uma boa parceria e de novo lavar roupa suja em casa.  Mesmo que totalmente atrasado, e demorado, o reconhecimento do presidente brasileiro em relação a vitória de Joe Biden, ela veio em bom tom, aos 44 minutos do segundo tempo,  com uma carta enviada para os Estados Unidos, então vamos torcer para que a diplomacia funcione. Mas não, o primeiro artigo que vi sobre a carta foi falando que os Estados Unidos estariam dando gargalhadas.

Quando tem acertos, não precisa aplaudir,  mas poderíamos ficar quietos e deixar a bola rolar para que o Brasil não saia prejudicado. Vale lembrar que os Estados Unidos são pragmáticos, coisa que nós deveríamos ser também. 

E se vocês acham que a guerra de narrativas é coisa do Brasil, veja na Fox News que no primeiro dia de governo Biden, saiu com a manchete. “Primeira semana desastrosa de Biden” O apresentador da Fox News bateu na primeira semana de Biden no cargo antes que o sucessor de Donald Trump tivesse completado seu primeiro dia inteiro. 

Discursos servem para buscar conciliação, tem efeito de massa, e a mídia está ali para pegar o pior, ou o melhor para repercutir, mas são as ações que definem os rumos da população.  Torcer por ações que tragam esperança, o diálogo realmente perdeu espaço para a guerra em bolhas ideológicas e narrativas incompletas.  É de fundir a cabeça, principalmente quando a gente acha que a solidariedade ganhou espaço, tem gente furando fila da vacinação, imperdoável, criminoso, doentio.

Marcelo Lara – Consultor de Comunicação