As cinzas de uma semana insana em Brasília e a vida como ela é no campo e na cidade

O Brasil começa depois do carnaval. Sempre ouvi esta expressão, e apesar de contrariado, a maioria sempre fez planos para iniciar qualquer projeto, ou articulação, convencimento, novos trabalhos, o iniciar o diálogo, o acelerar e engatar uma primeira e seguir em frente que o ano tem 365 dias, mas só  depois de carnaval.

A  questão é a imagem que a gente passa de que o Brasil depende do carnaval é que me incomodava. Infelizmente veio a pandemia e o carnaval ficou totalmente fora de qualquer prioridade, quem diria?  O Brasil de fato não depende do carnaval,  a saúde ganhou tamanha prioridade, não levada a sério ainda por muita gente, como vimos, isso é fato. Mas esta expressão precisa sair de vez da nossa cultura, independente de gostar  ou não do carnaval, isso é pessoal de cada um, é cultural, faz parte da nossa história. 

Mas o Brasil começa mesmo no dia 01 de janeiro de cada ano, os brasileiros do campo que o digam quando tem que colocar carros alegóricos na lavoura, para plantar, para colher, para pulverizar, a sociedade é feita de bons exemplos, precisamos parar de exaltar os maus exemplos.  O Brasil vai elegendo  as prioridades, mas  claro a luta hoje tem várias frentes, começa com a Covid-19 e em seguida vem  a briga política e bizarra, como foi esta semana. 

Sim temos que entender que o que acontece em Brasília afeta o campo e a cidade, as pautas param para ver espetáculo bizarro que não leva a lugar nenhum, como que vamos articular para colocar em votação o que realmente importa, licenciamento ambiental, regularização fundiária, marco regulatório dos defensivos e por aí vai.  A quarta-feira, de cinzas, foi quente. A harmonia dos poderes novamente em cheque, e as pautas importantes ficam de lado por causa de um Daniel quem?? Como disse Ministro Fux não deveria nem ser levado a sério, como os próprios colegas deputados não o levam. Claro que merece punição, longe de defender uma palavra proferida pelo excelentíssimo deputado em questão. 

 O monte de falas truculentas e incitando contra o STF, não representam de forma alguma ameaça a democracia, porque senão teríamos uma fragilidade institucional impressionante, mas se tornou pessoal, poderia ser um processo por injuria, mas na mesma semana o STF libera o senador do dinheiro, muito além dos limites da cueca de volta para o trabalho e a acusada de mandar matar o marido, a deputada Flordelis  desfila com tornozeleira  pelo congresso. O que é mais ameaça a democracia? Um  deputado que não se sabe como foi parar lá, não tem representatividade ou fazer vista grossa para   a corrupção e pirotecnia com vídeos bizarros, por mais graves que sejam os xingamentos e as ameaças. Depredar, roubar, matar, agora  são pecados leves diante de um vídeo de extremista falando insanidades.  Vamos ser sinceros, parece uma lei da mordaça para ninguém falar nada contra os excelentíssimos ministros do STF, intocáveis. A mordaça está sendo colocada e ninguém está percebendo, pois prefere olhar para os interesses próprios.

Quem é o fiel da balança quando a indignação não tem peso em crimes que eu considero muito mais graves, que deveriam ter pelo menos a mesma atenção, a mesma indignação. Por mais que alguns loucos queira impor, falando insanidades propondo o fechamento de poderes, é uma ameaça tão vazia que nunca vai encontrar apoio na sociedade, apenas em bolhas extremistas. Me parece mais que o judiciário está ditando o andar da carruagem no Brasil. Falar aquela inominável duas letras e um número que está enterrada e bem enterrada, , causa muito mais indignação e risco para nossa coitada democracia, do que qualquer corrupção ou crime contra vida das pessoas. Agora a Câmara não quis compra a briga porque o tal Daniel não tem nenhuma representatividade, caso tivesse talvez não servisse de “boi de piranha”entregue de bandeja aos caprichos do STF. Mesmo que o tal Daniel seja indefensável, estamos falando de algo que vai além dos absurdos que são falados,  você está autorizado a torcer pela Covid-19 contra seus inimigos ideológicos,  xingar todos os poderes, dizer o que pensa sobre qualquer parlamentar ou contra qualquer membro do executivo, desejar a morte,  mas por favor pense duas vezes antes de citar qualquer membro do Supremo Tribunal Federal porque  a polícia pode bater na sua porta a qualquer hora do dia, ou da noite, a constituição depende do humor de quem é o guardião.

Eu pergunto: Fez alguma diferença, na vida real dos brasileiros, este show de horrores desta semana? Mas pelo menos parece que o Conselho de Ética  e Decoro Parlamentar  vai  começar trabalhar e parar de deixar na gaveta casos de  deputados enroscados na justiça, e lambuzados na falta de decoro.

A vida como ela é, enquanto isso,   produtores rurais de Mato Grosso, como no caso dos produtores do Vale do Araguaia que responde  por mais de 1 milhão de hectares em plantio no Estado, neste período de safra, e aí vem chão, atoleiros, buracos, acidentes, filas  de carros e prejuízos incalculáveis.  Mas na mensagem  por “SMS” o que os produtores rurais receberam foi em tom de ameaça direta do governo com a seguinte mensagem : “TOLERÂNCIA ZERO para o DESMATAMENTO ILEGAL, quem desmatar vai pagar caro , com multa no CPF ou CNPJ DO INFRATOR. UM alerta  Governo de Mato Grosso”. 

Voltamos ao ponto de avançar com a regularização fundiária, para ter CPF para aplicar a multa para quem pratica o crime de desmatamento ilegal. Fácil ameaçar quem tem endereço e título das terras, basta comprovar o crime e punir, mas não ameaçar todos, já julgando como todos criminosos. Vivemos em tempos de ameaças, acusações e espetáculos bizarros, as máscaras vão caindo e ficam apenas as máscaras da proteção da saúde.

Para não terminar em baixa, vamos seguir falando dele, aos 85 anos, Paolinelli segue ativo, trabalhando com conhecimento da agricultura tropical e buscando soluções, sim, a nossa esperança do Nobel Brasileiro Alysson Paolinelli, como não admirar os bons exemplos, o resto é tudo passageiro.  Até o tal BBB, que te persegue nas mídias sociais, mesmo que você não faça a mínima questão de saber quem faz parte deste programa, pois, acredita que tem mais o que fazer na vida.

Marcelo Lara- Consultor de comunicação