Da política do “condensado xingamento” a realidade da imagem do agro sustentável

Toda semana é sempre de emoção e lida na política tanto nas nossas trocas de mensagens  entre grupos de trabalho e de família, quanto no Twitter,  tudo vira piada e a informação fica na superficialidade generalizada da manchete, como o caso leite condensado que ainda vai render muito bolo, de rolo. 

Uma semana doce, mas sem linguagem suave nas respostas dentro de uma churrascaria, nada de novo. Como já disse Millôr Fernandes :” a situação é tão indigna que mesmo pessoas sem nenhuma dignidade estão ficando indignadas.”

 Nas rodovias brasileiras o assunto é o  risco de greve dos caminhoneiros que parece estar reduzido num momento complexo para economia, se acontecer deve ficar em pontos localizados, mas não movimento generalizado como foi em anos anteriores, nos bastidores muita negociação para evitar barulho maior.  Semana entre doces e xingamentos, aliás tem um artigo com 146 xingamentos com nomes atribuídos a Bolsonaro em resposta, diria que infantil  artigo da folha de são Paulo, entrar neste jogo é ficar no fundo do poço, sem construir nada, se igualar no debate.  

 Vamos ver que na semana que entra não vai ter doce, vai ter briga de gente grande com a eleição no Congresso. O Brasil está de olho para saber  o que  vem pela frente entre pilha de pedidos de  Impeachment, que não param de chegar, e as tantas reformas necessárias para o país. No jogo político ninguém ganha sem avançar com as reformas, sabendo que 2022 está logo ali.  

Quem sabe algumas mudanças no regimento interno da Câmara evite votações que se arrastam com tantas obstruções sem sentido, que já vi em diversas ocasiões, e depois o voto vira decisivo na calada da noite. Isso pode ser evitado sim.

A vacinação e a pandemia, o pesadelo não termina, um vírus onde  já se fala em 300 mil novas cepas, tamanha a rapidez das mutações, mas o foco é nas cepas que realmente tem poder maior de infecção e entram no radar mundial para atualizar vacinas que nem bem saíram do forno, em tempo recorde,  tudo isso ao mesmo tempo.   O sufoco e a expectativa de quando tudo isso vai se equilibrar sem perda de vidas.

E por falar em equilíbrio, parece que a conferência do clima vai esquentar com o novo direcionamento dado pelo presidente dos Estados Unidos . A COP26 em Glasgow na Escócia, pode ter implicações econômicas cada vez mais amplas. Mas vai gerar oportunidades de crescimentos para indústrias sustentáveis, a busca por energia limpa volta ao foco. Energia eólica e solar são as mais competitivas para expansão no Brasil sem esquecer que somos pioneiros em biocombustíveis.  Avançamos com programas como Renovabio, CBIOs. Passos importantes para o Brasil, uma rediscussão dos créditos de carbono. Lembro  lá na década de 90,  vi a questão das primeiras vendas de crédito de carbono através do biogás gerado na suinocultura, que virou em nada na época, empresas intermediarias ganharam dinheiro e sumiram. Assunto renderia muito.  

Agora os atuais Certificados emitidos pelos produtores de biocombustíveis,  cada um CBIO (crédito de descarbonização) corresponde a uma tonelada  de gás carbônico evitada, quando se substitui um combustível fóssil por um biocombustível. O cálculo dessa redução é muito cuidadoso, processos produtivos com menor pegada de carbono tem prioridade. Pode chegar perto de um bilhão de dólares nos próximos anos, por isso chama atenção dos economistas. Li um artigo interessante que falava justamente do etanol que substitui a gasolina, uma empresa no exterior que comprasse um CBIO poderia compensar suas emissões lá fora, desde que o instrumento fosse reconhecido naquela jurisdição. O brasil exportaria a redução de CO2, representada pelo CBIO. Aperfeiçoar a certificação da produção de biocombustíveis e as regras do mercado de CBIOs, alinhando claramente, por exemplo, as metas de redução de emissões CO2 no transporte.

Durante a edição online do Fórum Econômico Mundial de Davos, a Ministra  Tereza Cristina falou sobre inovação  que é a única maneira de conciliar o aumento da produção agropecuária para garantir segurança alimentar no planeta e preservação ambiental.  Evolução digital e biológica, que vem crescendo rápido no Brasil por ter um ecossistema propício aos avanços tecnológicos no campo.  Expansão da conectividade no meio rural é um desafio para segurar o jovem no campo com estímulo.

E se fala em desburocratizar com a tecnologia do momento “ BLOCKCHAIN”, como se fosse um livro que mantém de forma imutável o registro de todas as transações que acontecem. Um sistema que permite rastrear o envio e o recebimento de informações pela internet, tudo muito rápido, os dados ficam consolidados. Por falar em Ministra Tereza Cristina ela foi exonerada para participar da eleição na Câmara dos Deputados. Força total na batalha.  

Hamilton Mourão foi o  Interlocutor ambiental do governo no Fórum. em uma atuação defensiva do governo para entrar no debate mundial do meio ambiente. Meta principal é a parceria público-privada. Cobrou apoio  externo,  anualmente o fórum reúne a elite econômica e política global. Ele disse que os investimentos internacionais são fundamentais para iniciativas prosperarem na Amazônia.

 Atuação combinada. Empresas e setores, com olhar e proximidade com a região. Companhias e governos que tenham a capacidade de atuar em conjunto.  Presidente da Colômbia, Iván Duque, também compartilhou no mesmo painel desta ideia, reforçando a importância do setor privado para o desenvolvimento da região amazônica. Economia verde,  os negócios são parte da solução e não do problema.   

Na prática desde 2015 até agosto de 2020 foram realizadas no Brasil ao menos 50 emissões de “Green Bonds”, os títulos para o financiamento de projetos sustentáveis que totalizaram R$ 43,8 bilhões de Reais. Estima-se que o mercado tenha potencial para captar R$ 700 bilhões de reais.  Quem duvida da potência agrícola brasileira com sustentabilidade só ajuda os nossos concorrentes lá fora, que pisam na imagem do agro brasileiro. Mas vale sempre lembrar que o consumo de produtos agrícolas será 20 por cento maior em 2030 e deste total 40 por cento deverão vir do Brasil. Os brasileiros vão garantir a segurança alimentar do mundo. Por isso precisamos mais do que nunca tirar as ervas daninhas  do caminho, e do discurso, e garantir que sejamos sim reconhecidos como um país que tem agronegócio sustentável.  Basta percorrer o interior e focar nos exemplos maravilhosos que temos de práticas que conciliam perfeitamente produção e preservação. A Capa da Veja, “Fazendas verdes”, mostra bons exemplos, não precisamos nos afundar no lixo, ficar somente catando os maus exemplos, que devem sim ser denunciados e tirados como erva daninha, mas  podemos valorizar quem faz a diferença.  Xingar menos e fazer mais.

Marcelo Lara – Consultor de Comunicação