A nossa Amazônia palco de “guerra política insana”

Deu no New York Times… So what?

Estava lendo os artigos sobre a Amazônia no “New York Times”. Uma mistura de histórias, numa guerra política, mistura botânica, crenças, indígenas, milagre econômico,  como se nos últimos dois anos a Amazônia tivesse saído de “floresta virgem intacta”, sem nunca ter presenciado uma fumaça, e se transformado em terra devastada com soja e boi no lugar de árvores. Alguns pontos dos artigos são insanos, com pressão total, apontam desde genocídio até invasões, mas não detalham onde, quantos, como, quem, nada.

Relembram a fala infeliz do ministro Ricardo Salles,  e a expressão “afrouxar as regulamentações ambientais” adotada pela mídia. Quando na realidade é colocar regras claras e não subjetiva e destravar processos parados por pura burocracia sem ter a ver com proteção ambiental. Mas cai no geral. Os artigos vão e voltam falando da década de 1970,  do “milagre econômico”. Vivem num vai e volta do passado. E depois jogam, do nada, frases soltas como esta pérola:  “Fazendas industriais enviam bilhões de dólares em carne bovina e soja para um mundo faminto.”  Um dramalhão sem fim. E de vez em quando lembram que cerca de 30 milhões de pessoas vivem na bacia amazônica.  E depois voltam com mais um trecho dizendo que todos que moram na Amazônia deveriam fazer  o que “os indígenas brasileiros faziam antes que os europeus cometessem genocídio no continente.”

E tudo gira em torno do presidente Bolsonaro, os artigos que em alguns pontos colocam como “CAPITAO MOTOSERRA”.  A guerra que respinga no agro com a imagem lá fora tem total viés político, mas são décadas que os governos negligenciam com milhões de pessoas que vivem na bacia da Amazônia. Quando os incêndios do ano passado atraíram a ira de líderes e investidores internacionais, Bolsonaro disse a um grupo de repórteres europeus: “A Amazônia é nossa, não sua” .E relembram também esta outra frase. “Que não venha nenhum gringo pedir pra gente deixar um amazonense morrer de fome embaixo de uma árvore”, Lula na Cúpula da Amazônia de 2009.

O trecho que destaco e abro novamente aspas: “ O mito da floresta tropical intocada perdurou porque é fácil para os consumidores imaginá-la assim. É mais fácil arrecadar fundos contra escavadeiras que derrubam florestas antigas do que apoiar fazendeiros itinerantes que queimam pastagens para criar seu gado magro. É mais fácil encomendar móveis certificados conforme código florestal do site da Amazon.com do que questionar como a madeira de lei da floresta amazônica foi parar na passarela da Brooklyn Bridge. É mais fácil condenar os frigoríficos industriais do que entender como a crescente classe média da China — e a guerra comercial dos EUA — demanda ração para carne bovina e soja. É mais fácil torcer por um Cacique com um cocar e um arco do que se unir em torno de líderes indígenas com mountain bikes, celulares e espingardas.”

Em outro trecho destacam os articulistas selecionados pela new York times. “ Resolver problemas antigos exigirá fazer novas indagações. Como drones e veículos autônomos poderiam beneficiar o transporte na Amazônia? Como as constelações de satélites podem conectar aldeias remotas para melhorar a educação e assistência médica? Como cidades como Manaus, Santarém e Belém poderiam se tornar líderes internacionais em biotecnologia?”

Esse é o trecho que de fato abre espaço para o desafio do futuro, para debater. O restante virou um cutucar político levando a sério declarações e não ações de fato. Declarações de botequim. E mistura de religião e politica para não discutir o que de fato precisa ser feito. Valorizar a floresta em pé, e punir quem deve ser punido, e não colocar toda a culpa do que acontece no cotidiano da floresta em cima do agronegócio .

Enquanto isso o etnobotânico Mark plotkin escreveu que por meio do WhatsApp, se comunica com os xamãs que conhece na Amazônia. Eles teriam dito que estão ingerindo plantas imunoestimulantes para manter o coronavírus sob controle.  E encerra um dos artigos assinado por ele.  “Mas com o advento da temporada de queimadas na Amazônia, causada pelo desmatamento desenfreado, sua prateleira de remédios está pegando fogo”.  E assim vamos dramatizar e politizar a Amazônia brasileira.

Marcelo Lara- Consultor de Comunicação

Fontes: Artigos do New York Times- “THE  AMAZON  HAS SEEN OUR  FUTURE”